Não precisa de ter um piano de cauda, um vertical e um elétrico vintage para descobrir de qual gosta. Só precisa de tocar a mesma coisa em cada um e ouvir. O som que escolhe altera a atmosfera de uma peça mais do que a maioria dos principiantes espera, por isso vale a pena saber para que serve cada um.
Aqui está uma visita rápida aos principais sons de teclado e onde costumam encaixar.
Piano de cauda
O som por defeito, e por boas razões. Brilhante, cheio e expressivo em toda a sua extensão. Se quer algo que soe a um piano a sério, ou se está a tocar clássica, baladas, ou qualquer coisa em que o piano seja a estrela, comece por aqui.
Piano vertical
Mais quente e próximo do que um piano de cauda, com um carácter ligeiramente mais "fechado". Os verticais combinam com material mais sereno, de cantautor, daquele que parece ter sido tocado na sala de estar de alguém. Se um piano de cauda parece grandioso demais, um vertical costuma parecer mais honesto.
Cauda ou vertical: o que difere de facto
Muita gente chega a esta pergunta a pensar nos instrumentos a sério e não nos sons, por isso aqui está a resposta curta. Não é o número de teclas. Um vertical de tamanho normal e um piano de cauda de concerto têm ambos 88.
A diferença é a geometria. Um piano de cauda dispõe as cordas e o tampo harmónico na horizontal, o que permite às cordas dos graves serem muito mais longas e dá ao tampo bastante mais área para mover ar. Um piano de cauda de concerto chega aos 2,7 metros exatamente por essa razão. Um vertical põe o mesmo conjunto de pé, encostado a uma parede, por isso as cordas são mais curtas e a caixa é menor. Cordas mais longas e um tampo harmónico maior são o que as pessoas estão a ouvir quando dizem que um piano de cauda é mais cheio, mais ressonante e mais capaz de ir do muito suave ao muito forte.
A mecânica também difere, e isso conta mais do que o timbre para quem toca depressa. Num piano de cauda os martelos ficam na horizontal e voltam a cair pelo próprio peso, por isso as notas repetidas rearmam-se depressa e tocar suave é mais fácil de controlar. Os martelos de um vertical movem-se de lado e precisam de molas para regressar, o que torna a repetição rápida um pouco menos disponível.
Depois há o mais prosaico: um vertical encosta a uma parede e custa menos, um piano de cauda precisa de chão livre à volta e custa bastante mais. Vale a pena dizer com clareza, ainda assim, que um vertical bem mantido numa boa sala ganha a um piano de cauda descuidado numa sala má. O estado do instrumento e a acústica da sala decidem mais do que ouve de facto do que a forma da caixa.
Piano elétrico
O som suave, ligeiramente acampainhado que conhece do soul, do jazz e de muito lo-fi. Um piano elétrico perdoa uma parte simples. Toque três acordes lentos num e já soa a algo intencional.
